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    Adequação de projetos brasileiros ao mercado global

    O que investidores internacionais esperam de um projeto mineral no Brasil.

    StockWork Analytics · Outubro de 2026 · 8 min de leitura

    O Brasil melhorou na percepção de quem investe em mineração e tem geologia para atrair capital. O que ainda separa muitos projetos brasileiros desse capital é a forma: dados, relato e documentação no padrão que o investidor estrangeiro sabe ler.

    Onde está o capital de exploração

    O orçamento global de exploração de não ferrosos somou US$ 12,4 bilhões em 2025, terceiro ano seguido de queda nominal. O ouro concentrou metade do total (US$ 6,15 bilhões) e o cobre, 26%. A América Latina foi a região que mais recebeu orçamento, com US$ 3,28 bilhões (S&P Global, 2026).

    051015201997200220072012201720222025Pico: US$ 20,5 bi (2012)US$ 7,0 bi (2016)US$ 12,4 bi2025US$ bilhões (nominais)
    Figura 1. Orçamento global de exploração mineral de não ferrosos, 1997–2025. Fonte: S&P Global Market Intelligence (2026).
    América LatinaUS$ 3,28 biCanadáUS$ 2,32 biAustráliaUS$ 1,86 biResto do mundoUS$ 1,63 biEstados UnidosUS$ 1,46 biÁfricaUS$ 1,44 biÁsia-PacíficoUS$ 0,41 bi
    Figura 2. Orçamento de exploração de 2025 por região, em US$ bilhões. A América Latina respondeu por 26% do total. Fonte: S&P Global Market Intelligence (2026).

    O financiamento, porém, passa por poucas praças. Em 2025 o setor levantou US$ 21,43 bilhões, dos quais US$ 9,89 bilhões na bolsa de Toronto e US$ 6,07 bilhões na bolsa australiana (S&P Global, 2026). Um projeto que busca esse capital precisa falar a língua do NI 43-101 e do JORC.

    Como o Brasil é visto

    Na pesquisa anual do Fraser Institute com empresas de mineração, o Brasil saltou da 56ª posição entre 82 jurisdições em 2024 para a 19ª entre 68 em 2025 no índice de atratividade de investimento, com melhora tanto em percepção de política quanto em potencial mineral (Mejía e Aliakbari, 2026).

    19º / 68

    Atratividade de investimento em 2025 (era 56º / 82 em 2024)

    76,74

    Pontuação em 2025 (51,23 em 2024)

    29º / 68

    Percepção de política mineral em 2025

    San Juan (ARG)76,94Brasil76,74Santa Cruz (ARG)74,34Chile69,17México67,73Peru64,98Colômbia64,91Mendoza (ARG)53,06Equador52,88Bolívia49,81Neuquén (ARG)49,29Chubut (ARG)47,03
    Figura 3. Índice de atratividade de investimento em mineração, 2025, jurisdições latino-americanas (0 a 100). Fonte: Mejía e Aliakbari (2026), Fraser Institute.

    A pesquisa mede percepção de executivos e varia com o número de respostas por jurisdição. Serve como indicador de tendência, não como medida absoluta.

    Vista aérea de projeto ou mina brasileira
    Frente de lavra a céu aberto. Imagem ilustrativa.

    O que o país oferece

    O setor mineral brasileiro faturou R$ 298,8 bilhões em 2025 e projeta US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, dos quais US$ 21,3 bilhões em minerais críticos (IBRAM, 2026). O país responde por cerca de 93% da produção mundial de nióbio e tem a segunda maior reserva de terras raras, com 21 milhões de toneladas (USGS, 2026). Em setembro de 2026, a Lei nº 15.506 instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com fundo garantidor e créditos fiscais para beneficiamento (Senado Federal, 2026).

    MG 39,9%PA 34,5%BA 4,5%Faturamento do setor em 2025R$ 298,8 bi+10,3% sobre 2024 (R$ 270,8 bi)Minas Gerais39,9%Pará34,5%Bahia4,5%Demais estados21,1%Dois estados concentram 74% do valorda produção. O minério de ferro respondepor 52,6% do faturamento.
    Mapa 4. Participação dos estados no faturamento do setor mineral em 2025. Fonte: IBRAM (2026).
    Minério de ferroUS$ 19,8 biSocioambientalUS$ 14,7 biLogísticaUS$ 11,3 biCobreUS$ 8,6 biFertilizantesUS$ 6,9 biNíquelUS$ 4,7 biTerras rarasUS$ 2,4 biOuroUS$ 2,4 biBauxitaUS$ 1,2 biLítioUS$ 1,2 biTitânioUS$ 0,9 bi
    Figura 5. Investimentos previstos de 2026 a 2030, em US$ bilhões. Em destaque, substâncias da pauta de minerais críticos. Fonte: IBRAM (2026).

    O que o investidor internacional espera

    ExigênciaO que entregarLacuna comum em projetos brasileiros
    Recursos em código CRIRSCODeclaração assinada por profissional qualificado, em JORC, NI 43-101 ou CBRRReservas aprovadas em relatório à ANM sem classificação compatível
    Dados auditáveisBanco de dados com QA/QC, certificados e trilha de auditoriaPlanilhas dispersas, campanhas antigas sem controle
    Título minerário seguroSituação dos processos na ANM, prazos e ônusPendências e prazos próximos do vencimento
    Estudos em estágiosEstudo conceitual, pré-viabilidade e viabilidade, com premissas explícitasPlano de aproveitamento sem equivalência com estudo de viabilidade
    Licenciamento e ESGSituação das licenças, comunidades, água, barragensInformação tratada como anexo, não como fator modificador
    Documentação em inglêsRelatório técnico e sala de dados organizadosTradução tardia e terminologia inconsistente

    A Resolução ANM nº 94/2022 aproximou o sistema brasileiro do modelo internacional ao adotar a classificação CRIRSCO e o Guia CBRR (ANM, 2022; CBRR, 2022). O caminho mais curto para um projeto é produzir, desde a pesquisa, dados que sirvam ao regulador brasileiro e ao investidor estrangeiro.

    Diagnósticodados, títulos, lacunasAdequação do bancovalidação e QA/QCModelo e estimativadomínios, krigagemClassificaçãopadrão CRIRSCORelatório técnicoJORC / NI 43-101
    Figura 6. Etapas para levar um projeto ao padrão de relato internacional.

    Em resumo

    O momento é favorável: percepção em alta, política de minerais críticos em vigor e a América Latina como principal destino do orçamento de exploração. Projetos com dados rastreáveis e recursos declarados em padrão internacional chegam à mesa do investidor prontos para serem avaliados. Os demais precisam primeiro refazer o caminho dos dados.

    Equipe técnica em reunião com dados do projeto
    Revisão técnica do projeto antes da auditoria. Imagem ilustrativa.

    Referências

    1. S&P Global Market Intelligence (2026). World Exploration Trends 2026. PDF
    2. Mejía, J., Aliakbari, E. (2026). Annual Survey of Mining Companies, 2025. Fraser Institute. PDF
    3. IBRAM (2026). Setor Mineral 2025. Instituto Brasileiro de Mineração, 3 fev. 2026. PDF
    4. Brasil Mineral (2026). Investimentos no setor mineral devem somar US$ 76,9 bilhões entre 2026 e 2030. brasilmineral.com.br
    5. USGS (2026). Mineral Commodity Summaries 2026: Niobium; Rare Earths. U.S. Geological Survey. usgs.gov
    6. Senado Federal (2026). Sancionada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (Lei nº 15.506/2026). Senado Notícias, 17 set. 2026. senado.leg.br
    7. ANM (2022). Resolução nº 94, de 7 de fevereiro de 2022. Agência Nacional de Mineração. gov.br/anm
    8. CBRR (2022). Guia CBRR para Declaração de Informações de Exploração, Recursos Minerais e Reservas Minerais. PDF
    9. CSA (2025). CSA proposes amendments to modernize and streamline mining disclosure standards. securities-administrators.ca
    10. JORC (2012). The JORC Code, 2012 Edition. jorc.org

    Figuras marcadas como exemplo ilustrativo usam dados simulados.