Geoestatística
Geoestatística: fundamentos para decisões
Os métodos geoestatísticos essenciais para avaliação confiável de recursos minerais.
StockWork Analytics · Outubro de 2026 · 7 min de leitura
Geoestatística responde a três perguntas de quem decide: quanto minério existe, com que teor e com que confiança. Este artigo apresenta os conceitos que sustentam essas respostas, sem equações, e mostra onde cada um afeta a decisão.
Teores têm estrutura espacial
Amostras próximas tendem a ser mais parecidas que amostras distantes. Krige (1951) observou isso nas minas de ouro sul-africanas, e Matheron (1963) formalizou a teoria das variáveis regionalizadas. A estatística clássica trata cada amostra como independente; a geoestatística usa a posição como informação.
O variograma mede a continuidade
O variograma mostra como a diferença entre teores cresce com a distância. Três parâmetros resumem o comportamento do depósito (Journel e Huijbregts, 1978; Isaaks e Srivastava, 1989).
| Parâmetro | O que representa | Impacto na decisão |
|---|---|---|
| Efeito pepita | Variabilidade a distância zero: erro de amostragem e microestrutura | Pepita alta pede mais amostras e melhor protocolo de amostragem |
| Alcance | Distância até onde há correlação | Orienta a malha de sondagem e a classificação |
| Patamar | Variância total do domínio | Referência para a variância de estimativa |
| Anisotropia | Alcances diferentes por direção | Define a orientação da elipse de busca e da malha |

Krigagem: o melhor estimador linear
A krigagem calcula o teor de cada bloco como média ponderada das amostras vizinhas. Os pesos vêm do variograma: consideram distância, direção e redundância entre amostras, e minimizam a variância do erro (Chilès e Delfiner, 2012).
A vizinhança de busca é uma decisão do estimador. Vizinhança pequena demais gera viés condicional; grande demais suaviza a estimativa. A análise quantitativa de vizinhança (Vann et al., 2003) usa a inclinação de regressão e a eficiência de krigagem para escolher tamanho de bloco e número de amostras.
O efeito de suporte
Amostras de testemunho têm poucos quilos. A lavra seleciona blocos de milhares de toneladas. Quanto maior o volume, menor a variabilidade de teores. Ignorar isso leva a superestimar o teor acima do corte (Rossi e Deutsch, 2014).
O fluxo de uma estimativa
Validar antes de reportar
- Inspeção visual: blocos contra furos, seção por seção.
- Comparação global: média dos blocos contra média desagrupada das amostras, por domínio.
- Análise de deriva (swath plot): médias por faixa em cada direção, para detectar viés local.
- Reconciliação: quando há produção, comparar o modelo com o que foi lavrado.
Krigagem ou simulação
A krigagem entrega a melhor estimativa local, mas suaviza a variabilidade. Quando a decisão depende de risco, como a probabilidade de um painel ficar abaixo do corte, a simulação condicional gera cenários equiprováveis que preservam a variabilidade real (Goovaerts, 1997; Deutsch e Journel, 1998).
Da estatística à classificação
Os códigos não fixam um critério numérico para Medido, Indicado e Inferido. A classificação combina espaçamento de sondagem em relação ao alcance, qualidade da estimativa, confiança no modelo geológico e qualidade dos dados, sob responsabilidade do profissional qualificado (CIM, 2019; JORC, 2012). Em português, Yamamoto e Landim (2013) são a referência didática para os conceitos deste artigo.

Referências
- Matheron, G. (1963). Principles of geostatistics. Economic Geology, 58(8), 1246–1266. doi
- Krige, D.G. (1951). A statistical approach to some basic mine valuation problems on the Witwatersrand. Journal of the Chemical, Metallurgical and Mining Society of South Africa, 52(6), 119–139.
- Journel, A.G., Huijbregts, C.J. (1978). Mining Geostatistics. Academic Press.
- Isaaks, E.H., Srivastava, R.M. (1989). An Introduction to Applied Geostatistics. Oxford University Press.
- Goovaerts, P. (1997). Geostatistics for Natural Resources Evaluation. Oxford University Press.
- Deutsch, C.V., Journel, A.G. (1998). GSLIB: Geostatistical Software Library and User's Guide. 2. ed. Oxford University Press.
- Chilès, J.P., Delfiner, P. (2012). Geostatistics: Modeling Spatial Uncertainty. 2. ed. Wiley.
- Rossi, M.E., Deutsch, C.V. (2014). Mineral Resource Estimation. Springer.
- Vann, J., Jackson, S., Bertoli, O. (2003). Quantitative kriging neighbourhood analysis for the mining geologist: a description of the method with worked case examples. 5th International Mining Geology Conference, Bendigo. AusIMM, p. 215–223.
- Yamamoto, J.K., Landim, P.M.B. (2013). Geoestatística: conceitos e aplicações. Oficina de Textos.
- CIM (2019). CIM Estimation of Mineral Resources & Mineral Reserves Best Practice Guidelines. Canadian Institute of Mining, Metallurgy and Petroleum. mrmr.cim.org
- JORC (2012). The JORC Code, 2012 Edition. jorc.org
Figuras marcadas como exemplo ilustrativo usam dados simulados.